Peles Descartadas: Matriz
Experimento na fronteira entre fermentação, arte e aprendizado de máquina. Um SCOBY vivo é mantido em casa, alimentado com chá, e monitorado por sensores que registram cor, peso, pH e temperatura ao longo de semanas. Esses dados — extraídos de um único organismo — formam o corpus de treino de um modelo computacional minúsculo, hiperespecializado naquela kombucha específica. Inútil para qualquer outra finalidade. Belo desperdício.
Concepção em diálogo com Peles Descartadas, obra-instalação de Augusto Batista (Guto) que apresenta peles de kombucha curtidas presas a chapas metálicas perfuradas — denúncia, em matéria orgânica, do descarte do trabalhador industrial pela máquina. Matriz avança um passo: do plano industrial para o plano cognitivo. O trabalho humano trocado pelo modelo — e os dados que alimentam esse modelo extraídos, como chá, do corpo que ainda fermenta.
Estado atual: Raspberry Pi 3B + Camera Module v2 fotografando a cada 10 minutos, lâmpada AC chaveada por relé acionado por GPIO, indexador Python em Docker no VPS extraindo a cor média de cada imagem, dados em SQLite servidos ao vivo no site. Em desenvolvimento: temperatura (DS18B20), microfone eletreto para as bolhas de fermentação, eletrodos de grafite + INA128 + ADS1115 para o sinal bioelétrico, e sonificação noturna em SuperCollider.